Duas décadas

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Lembro como se fosse a algum tempo, jus ao fato, quando completei 10 anos de idade.

Era um dia frio, típico do julho curitibano, mas eu estava de alguma maneira aquecido. Seja pelos sorrisos espontâneos causados pela eminente certeza de que naquele dia eu seria lembrado ou pelo coração que batia mais forte por aquele ser o dia 25 de julho.

De alguma maneira infantil, olhar para as duas mãos e ver os meus 10 pequenos dedos geraram um significado pessoal muito grande e especial naquele dia. Pela primeira vez (e talvez única) a minha idade saturava-se na unidade, e para poder representar os anos que vivi já eram necessários dois algarismos.

Eu me senti maior e mais maduro.

Fisicamente eu nunca fui sinônimo de algum padrão midiático. Considero isso bom pois me ajudou a desenvolver uma ideia melhor sobre os valores, especialmente no tocante da beleza.

Comecei a escrever poesias mais ou menos com essa idade e conseguia transcrever essas ideias, que sempre valorizavam o invisível aos olhos humanos. Encontrando respaldo e incentivo por parte da maioria das pessoas que liam meus versos, fortaleci não só a escrita, mas seus fundamentos. Descobri que esses pensamentos não eram pessoais e individuais. Eles faziam parte de uma realidade maior, ampla e comum.

Isso sempre me instigou, porém não delongarei mais pensamentos acerca.

O fato é que nessas últimas décadas percebi que realmente fiquei maior nesse contexto que relaciona o belo e o que deve ser valorizado. Por consequência também amadureci.
Porém hoje repeti o que fiz a exatos dez anos atrás:

Olhei para os meus pés e mãos, e de alguma maneira infantil achei um grande significado pessoal nos meus 20 dedos. De alguma maneira me sinto um pouco maior e mais maduro.

É um dia frio, típico do julho curitibano, mas eu estou de alguma maneira aquecido. Seja pelos sorrisos espontâneos causados pela eminente certeza de que hoje eu serei lembrado ou pelo coração que bate mais forte por ser o dia 25 de julho.
markinhos.com