voltas

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E de tanto girar acabam-se as forças e o que resta é um mundo meio torto, um horizonte virado e a queda leve e quase silenciosa. Os olhos ainda buscam no chão e naquela terra cheia de pedras algo que pudesse solucionar alguma coisa que precisava ser solucionada. Em vão, não havia mais motivos para soluções, e por mais que os pensamentos estivessem borbulhando e hiperativos dentro daquela cabeça, de longe via-se que não havia nada mais do que um corpo estático. Os olhos iam-se fechando a medida que os pensamentos também giravam e lentamente caíam na inoperância. As lágrimas traçavam o mesmo caminho do corpo e dos pensamentos, e tocavam aquela terra cheia de pedras. Finalmente as pálpebras molhadas se tocavam, girando a chave que pusera fim aos pensamentos e o início de uma escuridão que não se sabia se teria fim. Aquele corpo, cheio de vida, cheio de pensamentos, morre justamente por também ser cheio de voltas em torno de si mesmo.
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