luz em chagas

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Quando eu comecei a escrever esse blog a minha intenção era somente ter um registro sobre a minha vida e alguns pensamentos que eu tinha dela. Depois eu fiz com que esse blog pudesse de alguma forma atrair pessoas que estivessem dispostas a ler e então as coisas que escrevo poderiam ser compartilhadas. Hoje eu não me importo tanto com o público que vem aqui, pois sei que a maioria das pessoas não tem tempo para ler tudo o que eu posto aqui.

Nunca imaginei que estar no CTMDT ocuparia o meu tempo integral aqui, e dar um feedback, principalmente quando dependo da internet, se torna algo quase impossível. Os momentos que eu tenho no quarto, e principalmente aos fins de semana, eu os uso para descançar e então estreitar os laços por aqui.

Uma das coisas que nós mais fazemos aqui é produzir arte. Seja ela sonora, visual ou escrita, ou as três juntas. Portanto, ao longo das semanas que ficarei aqui antes de ir para casa (que será no próximo dia 15) eu irei postar algumas coisas escritas que produzi aqui dentro.

Para o primeiro post, separei um trabalho da matéria Coração do Artista, matéria ministrada pela professora Raquel Emerick. Ela nos pediu para que, após a leitura de alguns capítulos do livro Coração do Artista, fizéssemos uma análise sobre um dos capítulos, criticando, concordando, enfim, escrevendo sobre. O capítulo que eu escolhi foi o primeiro, Caráter Provado.


Introdução

Sete mil dias. Esse é o tempo de período aproximado que há algum tempo já está sendo usado para registrar as mudanças que o Brasil tem vivido na adoração cristã. E por mais que duas décadas aproximadamente possam simbolizar o adultecer de uma pessoa recém-nascida, para a história isso talvez seja só o primeiro passo. Portanto sendo analisados pelo olhar histórico, estamos apenas engatinhando, e todas essa mudanças de culto que cercam nossos últimos 20 anos simbolizam apenas um engatinhar.

Sabemos que todo o engatinhar precede o levantar e o caminhar, mas o que trarei nesse trabalho é principalmente o ensino da direção para essa nova estrutura da Igreja que hoje ainda engatinha. Antes de vir sobre nossas igrejas o mesmo desejo que um bebê tem de deixar o chão, apoiar seu corpo sobre os pés e impulsionar para cima com as mãos, na tentativa de dar os primeiros passos, precisamos entender como esse processo de firmeza acontece.

Não somos mais recém-nascidos, e o leite não será mais capaz de nos fortalecer. Deixar a superficialidade é sem dúvida um dos alvos da atual igreja, e quando eu digo isso creio que entendem que essa necessidade não é apenas para os jovens, mas principalmente para os adultos e talvez já velhos na fé cristã. O tempo maternal onde a igreja oferece seus seios para o bebê deve ser reduzido, para que a futura Igreja não permaneça acomodada, mimada e estagne na graça de Cristo como quem esquece do mundo que clama pela revelação dos filhos de Deus.

Os últimos sete mil dias que passamos foram momentos ótimos, realmente bons momentos. Mas não devemos utiliza-los demasiadamente como uma grande lembrança, pois assim corremos o risco de transformá-lo em objetivo ou alvo, e esse ciclo nunca deixará de ser infantil e raso.

Nós temos a missão de preparar o caminho para a volta do Senhor Jesus. Não sei por quanto tempo teremos que focar nossos esforços em cumpri-la, mas temo que a Igreja se perca e se desvie por ter uma visão tão infantil e humana para a manifestação do poder de Deus que cercam os últimos 20 anos. E talvez o trajeto missionário se estenda por culpa dessa falta de percepção.

Quero que você, leitor, entenda esse trabalho como uma luz que ilumina a mão de Jesus, que hoje está estendida para a Igreja a convidando para sair da atual posição, firmar seus pés junto aos pés d’Ele e então começar a caminhar.

Nessa mão estendida há uma marca tão visível para nós, que nós sempre escutamos nas pregações e as nomeamos como chagas. As chagas de Cristo, as marcas em seu corpo que referenciam Ele como sendo o Cristo. As marcas da cruz. Mas quero contextualizar e chamar essas marcas, essas chagas, de caráter. Elas têm que ser vistas em todas as igrejas, em todas as igrejas que vão às igrejas nos dias de culto, para que enfim todas as igrejas sejam cultos.

Nós devemos ser marcados pelo caráter de Cristo, e o sangue que será visível em nosso caráter exalará o cheiro do sangue que escorreu no madeiro que serviu de repouso para o cumprimento do plano de Deus para nós. É interessante perceber que até as palavras que ouvimos dos púlpitos são popularmente chamadas de pregações. Talvez derivaram realmente de pregos para ter a função de marcar nossas vidas com chagas, com caráter mudado. Que sejam marcas do ensino do caráter cristão. Pois este é o caráter aprovado por Deus.


Caráter Provado e Aprovado

Temos então dois cenários certos para acompanhar o objetivo desse trabalho. Um cenário é o do bebê que deve buscar levantar e caminhar, e o outro cenário é o de pessoas que precisam ter a marca de Cristo em suas vidas na transformação de seu caráter.

E Deus é tão lindo que trabalha nos detalhes de tudo o quanto Ele tem para nos ensinar e nos mostrar. Segundo a medicina a personalidade é formada justamente na idade onde o bebê começa a querer engatinhar até mais ou menos os seis anos de idade. Convertendo isso para o olhar histórico, teremos aí poucos 60 anos de formação de caráter cristão.

Primeiro quero definir o que é caráter. Segundo a psicologia o caráter é a firmeza de vontade inerente e nata do ser humano. Alguns teóricos diferem o caráter de personalidade. O caráter seria o esqueleto que serve de base para a personalidade, e esta por sua vez é a musculatura psicológica do indivíduo. Outros cientistas dizem que tanto caráter quanto personalidade são em si a mesma coisa.

Deus pode ou não aprovar o nosso caráter (Romanos 5:3-4), e se o caráter for o dorso de nossa vida, a palavra do Senhor é capaz de penetrar as juntas. Se por outro lado o caráter diferir da personalidade, a palavra do Senhor é capaz de penetrar medulas. Só convém ressaltar que a palavra do Senhor é capaz de adentrar na divisão da alma e do espírito (Hebreus 4:12) e nenhuma estrutura do ser humano (física, psicológica ou até meramente simbólica e representativa) é capaz de fugir ou se esconder da palavra do Senhor, uma vez que nada pode ficar encoberto diante do Senhor (Hebreus 4:13). A palavra do Senhor, então, pode tranquilamente atingir o nosso caráter, sem o menor esforço.

Seria natural Deus sentir prazer naqueles que Ele encontra um caráter aprovado, e foi isso o que aconteceu quando Jesus desceu às águas para se batizar. Jesus é a fonte de tudo quanto buscamos para ter o caráter aprovado por Deus, e além do que Ele disse em suas parábolas e em seus sermões, a própria conduta de vida d’Ele era modelo a ser seguido.

Existem duas formas principais por meio dos quais nosso caráter pode ser moldado, e somente juntas elas produzem o efeito buscado. Uma criança pode ser ensinada através do ensino oral mas ela só irá praticar o ensinado através do exemplo. De nada adiantaria se a prática familiar não tivesse correlação alguma com o ensinado na teoria. A eficácia no ensino não está somente na teoria, mas passa necessariamente pela prática.

A própria palavra do Senhor atesta esse método citando duas coisas a serem feitas para nortear a construção de uma casa, de um caráter aprovado por Deus. É necessário escutar a palavra de Deus e as pôr em prática, pois assim seremos prudentes (Mateus 7:24).

O interessante dessa passagem é que ela abre um leque para o significado da palavra aprovado. Jesus continuou dizendo que aqueles que escutam a palavra de Deus e as põe em prática serão tentados. Porque veio o vento e a chuva, mas nada destruiu essa construção. Quando o nosso caráter está firmado na palavra de Deus e não só na palavra, mas na prática da palavra de Deus, ele não se abala, independente das provações. Pelo contrário, somente pelas provações é que poderemos ter o nosso caráter aprovado. Portanto, podemos já definir que para um caráter ter simplesmente sido aprovado é necessário ter tido provações. Do contrário desconheço qualquer tipo de aprovação. O próprio Jesus somente começou a exercer seu ministério após ter sido provado no deserto. Somos melhores do que Cristo para abster-nos de passar por provações? É tão claro como a palavra de Deus, e como a vida de Cristo, que para termos o caráter aprovado, ele necessariamente será provado.

Se não colocamos em prática as palavras do Senhor, seremos tão somente imprudentes, e seremos vencidos e derribados nas primeiras provações dadas por Deus para aprovar o nosso caráter. O que diríamos então se nem escutássemos suas palavras? Praticaríamos o que? Veja como é tão necessário ouvirmos e entendermos as palavras do Senhor.

Somos ensinados através da palavra viva e eficaz, mas somente completamos e atingimos a aprovação do Senhor quando imitamos a Cristo Jesus, as colocando em prática e assim sendo provados. Pelo que seremos irrepreensíveis como foi Jesus Cristo. Pois se fomos ensinados por meio da Bíblia através dos sermões e das palavras de Cristo, o caminho, a verdade e a vida, podemos ser firmados através de seu próprio exemplo. Ele é a rocha que firma nosso caráter.

O próprio Cristo inúmeras vezes falou a respeito de entendermos as palavras que Ele lhes falava, muitas vezes ditas por meio de parábolas. O que Cristo pregou está muito além do que somente ouvir. Precisa-se entender, e aquele que entende, as pratica.


Conclusão

Aquele que nos dias de hoje deseja avançar do nível ainda raso que a Igreja conseguiu atingir nos últimos 7000 dias, precisa entender que o caráter precisa ser mudado e aprovado por Deus. O caráter só pode ser aprovado se for provado, portanto aquele que ainda ostentar esse desejo de mergulhar em níveis mais profundos de intimidade e relacionamento com Deus, precisa estar ciente que será necessariamente provado. Mas as provações que poderão resultar em aprovação só acontecerão após a prática das palavras do Senhor. Entretanto para praticarmos, precisamos ter entendido, do contrário não teremos entendido e cairemos. Para entender a palavra do Senhor, devemos ser ensinados, e para sermos ensinados devemos não somente ouvir ou buscar as palavras do Senhor, mas termos no próprio Cristo o exemplo a ser seguido, sem o qual não aprenderemos.

No caminho inverso funciona da seguinte maneira: Somos cristãos, então ouvimos as palavras do Senhor, as entendemos e as colocamos em prática conforme Cristo as colocou. Começamos assim a forjar nosso caráter. Já estando praticando as palavras do Senhor, tendo entendido, seremos provados mas não cairemos, pois estaremos firmados em Cristo. Depois de provados em Cristo seremos aprovados.

Creio que esse trabalho foi realmente uma luz que abordou um pouco sobre como se dá uma aprovação de caráter. Por conta do tempo, não quero me aprofundar mais nos aspectos mais práticos do caráter de Cristo, não quero detalhar suas chagas. Como disse no início do trabalho, meu objetivo foi somente iluminar um pouco a mão de Cristo, e apontar para Ele como um exemplo vivo a ser seguido, e não somente ouvido. E como seguiríamos alguém à olhos cegos ou fechados? Que essa luz acendida nessas laudas consiga iluminar um pouco quem as lê.

Talvez se realmente começarmos a entender o que Cristo quis dizer, conseguiremos novamente parar de engatinhar, e firmar nossos pés na rocha, e não em teologias de prosperidade e afins. Estas são visivelmente falsos Cristos, são areias, e aqueles que edifica sua fé ou seu caráter nelas, irão cair. E grande será a sua queda.
markinhos.com