sublimação

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Daqui de cima, cercado de edifícios pontiagudos, retangulares, triangulares, multiformes, o que mais chama a atenção são as cores alternadas entre vermelho e branco enfileirados por todas as ruas que se pode enxergar. O pequeno barulho de motores é incomodado por buzinas aleatórias e desiguais em ordem. Vire à esquerda, à direita. Siga, pare. A aflição desse mundo, de sempre ter que chegar a algum lugar, de sempre ter um novo destino e uma nova rota a seguir, não consegue me embaralhar na percepção do único lugar onde realmente quero chegar, do surreal lugar que se pode, e pude, encontrar. Diferente dos carros, meu destino não está à disposição de latitudes ou longitudes. A rota que sigo é loucura para os homens, e descansa num lugar onde o refúgio me faz sombra ante o Sol da injustiça que continua a cegar muitos por aqui, mesmo depois do caminho que leva à essa plena segurança já ter sido reinaugurado há algum tempo. Esse caminho me mostra que não sou daqui, e por isso já deixei de buscar algo desse lugar que me satisfaça. Visivelmente fui feito, e refeito, estrangeiro. Ao som da melodia que toca as notas que me enchem de saudade daquele que ainda não vi, sou constrangido em amor e confrontado em graça. Aquele que morreu preso numa barra horizontal em estaca vertical, hoje vive e me faz viver. Tudo o que eu mais quero é alcançar o dia sem fim que me dará a honra de me lançar em choro aos braços daquele que tanto me amou. Terminar a corrida sendo envolvido pela voz que me dirá "servo bom e fiel". Restará apenas a sublimação de gratidão.

Naquele dia restará ecos de uma canção...
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