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Não sou paranoico tampouco obsessivo quanto aos acontecimentos naturais que ocorrem diariamente. Aqui em Belo Horizonte, exatamente nessa semana e especialmente ontem, tivemos algumas máximas de tais eventos que de certa forma foram percebidos por todos os belo-horizontinos: o ápice dos 37 graus efervescentes e o evento mundial da lua vestida de vermelho em seu perigeu e eclipse lunar total, respectivamente. Talvez o Sol nunca foi tão odiado e admirado quase ao mesmo tempo, pois quando inteiramente pleno ao meio dia de ontem era taxativamente reclamado; e quando parcialmente percebido a meia-noite (em algo que sua mesma luz revelava) foi digno até de ser fotografado.

É possível que você ache um pouco estranho essa afirmação, pois naturalmente damos menção, honra e homenagem apenas à Lua, porém ela só é o receptáculo da luz solar. Ela não produz brilho algum, e sem o Sol seria escura e extremamente fria, praticamente insossa. Devido ao Sol a Lua é percebida e admirada, assim como foi na última noite, por milhões de pessoas. Embora o mérito deveria ser do Sol, especificamente este é assunto para outro devocional.

Minha reflexão é justamente perceber essa dinâmica preocupante e por vezes desmedida dos extremos proferidos pelo ser humano. A latência de reação a partir da percepção as vezes chega a ser quase inexistente. Somos reativos demais e isso desestabiliza qualquer equilíbrio e ponderação necessários ao gerar extrema inconstância. Se ao meio dia reclamamos absurdamente e doze horas depois enchemos o céu de elogios românticos, será que não estamos nutrindo uma predisposição e naturalidade para um cenário de abandono da fé que hoje tanto professamos? A naturalidade disso seria no mínimo coerente se houvesse apostasia.

Observe que a inconstância não só torna nossas ações meramente circunstanciais como também, quando percebida em relacionamentos, diminui a confiança que se tem no indivíduo. Além disso, é um retrocesso na percepção de vida daqueles que, compelidos na divulgação das boas novas, querem deixar quase palpável a suficiência do evangelho em todas as áreas da vida.

O equilíbrio tem sido demasiadamente ofuscado pela inconstância e suas proles de discursos absolutistas e militância por falsas idéias de verdade. Isso fica ainda mais claro em ambientes acadêmicos e estudantis, onde as ideologias são lançadas como confetes saborosos aos alunos. Todas elas porém são erguidas na inconstância e dinamismo pejorativo natural do ser humano: são mutáveis.

Temos, porém, o conhecimento revelador da única verdade construída no plano atemporal e imaterial, imutável, e o conhecimento dessa verdade viva exige de nós o equilíbrio que firma nossa caminhada, e a constância que faz dela equilibrada. Constância e equilíbrio se tornam complementares, e alvos daqueles que, diante do plano eterno, percebem sua missão.

Sejam firmes! Da meia-noite ao meio-dia.
markinhos.com