inconfortavelmente corajosos

| Nenhum comentário · Comentar
“Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.” Marcos 10.22

As obrigações que se ajuntam nos finais de ano causando sensação apequenadora de nossas possibilidades pode exalar também inverdades e sofismas extremamente prejudiciais para a percepção e entendimento da verdade. É como se nossas capacidades também fossem igualmente diminuídas de forma inversamente proporcional com os acúmulos de trabalhos em ambientes estudantis.

O cansaço, a fatiga, a preocupação, as exigências e cobranças se encarregam de factualmente nos desencorajar de tais atividades e em alguns casos o recuo em resolve-las é notoriamente expressivo a ponto de ser observada desistências de cursos ou matérias que poderiam ser finalizados caso houvesse a estruturação de um planejamento que tivesse a incumbência de concluí-las ao invés de atitudes mais práticas.

Foi o que talvez aconteceu com o jovem rico que, após tentativa – frustrada – de auto promoção para Jesus foi taxativamente exposto em seu amor e idolatria ao dinheiro e recuou. Se sua atitude fosse a de planejamento em conversão de seus desejos idólatras em detrimento dos desejos de Deus (como ele dizia que tinha) talvez o desfecho fosse diferente e semelhante ao desfecho de Zaqueu, que em semelhante cenário agiu completamente diferente, com planejamento e despendimento.

O recuo feito por pressões externas e endossado pelas mais diversas desculpas pode evidenciar, portanto, uma medida natural de proteção e defesa que não é permitida pelo evangelho de Cristo. Jesus confronta nosso conforto e exige posicionamento, muitas vezes impassivo. Um pensamento coerente com essa elucubração foi o de Paulo, que ainda em suas mais diversas tribulações e severas perseguições continuava seu ministério de instruir as igrejas. Tentativas de enfraquecer os seguidores de Jesus que convergiram na prisão de Paulo apenas serviram de cenário que causaram tempo sem igual de reflexão e oportuno para escrita que resultou nas inúmeras cartas que ele escreveu. Talvez se não fosse preso tantas vezes, seus escritos não seriam tão intensos e vastos, como foram.

Se nos comprometemos com o outro, seja uma instituição, um professor, um colega ou até mesmo um amigo, nós devemos manter o esforço necessário para cumprir nossa palavra. E se o cumprimento de tal acordado for custoso exigir a desmediocratização do nosso planejamento pessoal, a abstenção de nossos desejos e vontades ou até mesmo criar um cenário desconfortável para o nosso ego, saibamos que isso pode ser a força motora – e divina – que nos impulsionará ainda mais para coisas intangíveis ao nosso entendimento, trazendo além de experiência, maturidade e possivelmente um bom planejamento pessoal, uma elevação de caráter e maior aproximação com o caráter de Cristo.

Não devemos assumir as falácias sobre nós mesmos, que dizemos ou escutamos dizer, se estamos sempre pautando estar no centro da vontade de Deus. A possibilidade de crescimento à estatura de Jesus no confronto vivido nesse período do ano, com suas dificuldades e conflituosidades, portanto, é gigante.
Avante!

“E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.” Lucas 19.8

(Devocional compartilhado com o grupo Exército Universitário na data de hoje)
markinhos.com