pilar

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Quando começamos a viver sem poupar os riscos da exposição assustadora de nossas fragilidades temos apenas duas alternativas a tomar. Ou lamuriamos em desespero diante da imperfeição evidente estimulando níveis absurdos de coitadismo e vitimismo ou ponderamos que não somos perfeitos diante de nossas mazelas e aceitamos a necessidade de gerenciar e buscar mudança dando novos rumos às nossas debilidades.

Fato é que, se preferimos a segunda alternativa, nunca encontraremos nem em nós e nem no outro a supressão perfeita do auxílio que precisamos - para que a podridão de quem somos seja transformada em vida a partir daquilo que queremos ser. Em outras palavras, nem nós mesmos e nem o outro podem eficazmente e plenamente ajudar nisso. Isso porque não existe uma alma nesse mundo mais honesta pra nós do que Jesus (não Lula, não é você... rs) e do que Ele diz a nosso respeito.

Jesus, o Cristo, além de verdadeiramente nos amar como ninguém mais ama também aflora nossos piores defeitos em simples comparação consigo mesmo. Ele não só torna-se nosso principal amante mas nosso único e eficaz elucidador de quem somos e auxiliador - por intermédio do seu Espírito - do que deveríamos ser. Deus é quem tem única propriedade, então, para dizer também aquilo que não éramos pra ser. Aqueles que desejam ser de fato cristãos não podem modelar suas vidas em nenhum outro padrão ou conselho se não o de Cristo e sua Palavra, e nada mais.

As vezes não seremos supridos em expectativas que forjamos no outro, e não supriremos expectativas que o outro forja para nós. De início isso é preocupante, mas é primordialmente nivelador. Afinal nós, não sendo capazes de alcançar a mínima expectativa pessoal (e do outro) perdemos também qualquer mérito de exigir que o outro supra as próprias (ou as nossas) expectativas. Quando isso é mutuamente entendido e pacificado dentro de cada um, o quadro começa a se tornar libertador.

A primeira coisa que acontece posterioremente à humildade é que o relacionamento deixa de ter a base imediata no outro - igualmente falho - e então começa a carecer de outra base para estabilizar-se. É nítido e sorrateiro: a relação até então dual passa a esgueirar-se nos conflitos com a necessidade de um amparo consistente não alcançado em nenhum dos dois envolvidos. O terceiro pilar começa a erguer-se, e é extremamente crucial atentar-se para quem deixaremos com essa importante função, pois só haverá estabilidade quando o único que consegue proporcioná-la começa a integrar o processo. E o único que pode isso é Jesus.

Além de nos constranger em amor, misericórdia e graça a nível pessoal, Jesus começa a ruir também qualquer construção onde Ele ainda não está no centro, novamente por amor, misericórdia e graça. Infelizmente o conflito não é incomum àqueles que sinceramente buscam um relacionamento humano onde exista a verdade. Somos fatídicamente levados a esquecer Cristo, como se fôssemos suficientes, como se o outro fosse suficiente. Então, se se mínimamente debruçamos em nós mesmos ou no outro a supressão de algo que mude quem nós somos sem o perpasse por Cristo, infelizmente não obteremos bons resultados - apenas os chatos entraves. Jesus Cristo, portanto, não pode ser deixado de lado nessas construções.

A doce beleza do chamariz de Cristo para sua centralidade no relacionamento absurdamente envolve cada singular necessidade, e precisamos atentar e reconhecer isso diante de nossas sinceras intuições e vontades de construir caminhos ladrilhados pelo Eterno. O contrário disso certamente é morte.
markinhos.com