meus hiatos

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Não adianta fugir. Cada dia vivido nos distancia ainda mais da infância e da – não ligeira – despreocupação com os compromissos. Se tivemos sempre um adulto para nos dizer o que fazer enquanto éramos infantos; se na adolescência tínhamos sempre conselhos e algumas chatas proibições cujas necessidades nunca entendíamos e se em nossa juventude tivemos algum suporte orientacional de alguém mais velho; quando adultecemos um pouco mais essas vozes silenciam e no geral desprendem-se de sua intenção persuasiva ou norteadora. Principalmente quando você exala indícios de que quer amadurecer. Afinal, viramos adultos.

Essa semana mesmo estava pensando na vida de Jesus Cristo e no hiato que existe entre sua idade infanto-juvenil e adulta. É nítido a diferença de postura de Cristo antes e depois dessa lacuna temporal que e Bíblia deixa. A convicção de Jesus Cristo em relação ao seu propósito condia com sua convicção enquanto ser humano adultamente feito.

Outro exemplo que temos nas escrituras que nos fisgam temas como esse vem das cartas escritas por Paulo. Ele talvez estivesse ainda mais familiarizado com a processualidade da maturidade pois, além de ter bojo intelectual para divagar sobre tal abstração, instruiu Timóteo desde cedo e como observador pôde desenvolver aguçada sabedoria sobre o tema. Passando de extrema prudencia a visível conforto nos cuidados com seu discípulo, respectivamente no início e final concessão ministerial, Paulo certamente entendeu muito bem sobre meninismo e maturidade. Como se eles fossem realmente início, fim e propósito de uma corrida.

Não somente observando sua relação com timóteo, mas também no estudo de seus ensinos pela analogia da maturidade como exemplo do crescimento que fazemos em Cristo na maturação cristã – registrada no décimo terceiro capítulo de sua primeira carta aos coríntios.

Diante de escancarada processualidade das coisas no evangelho, temo o dia que olhar para trás não me traga espantoso arregalhos de como cresci e mudei nos últimos anos ou dias sobre o que pensava acerca das coisas, e apenas assinta com meu coração soberbo de que meu pretérito e crostoso pensamento permanece inatingível e imutável, ou pior, inaprofundável diante da minha suficiência.

Temo e espero nunca chegar a esse dia sem de fato ter pisado com os dois pés no estado eterno onde Jesus Cristo plenamente reinará, e onde tão somente serei satisfeito.

Enquanto caminho nessa inconclusão de fatos depositando minha humilde insuficiência de conhecer em todos os meus hiatos, almejo sem fuga correr cada dia vivido, amadurecer cada pedaço de infância escondido, até chegar o dia que conhecerei aquele por quem plenamente sou conhecido.
markinhos.com